Antes
do pontapé inicial de Paraná x Botafogo, na noite
desta quarta-feira, no estádio Durival de Brito, Caio Júnior,
emocionado, disse estar vivendo "um momento especial"
em sua vida. Afinal, estreava no comando do Bota exatamente diante
do clube que o projetou para o futebol brasileiro como treinador
- e do qual foi ídolo como jogador. E o primeiro capítulo
no Alvinegro foi feliz para o técnico. Com uma postura ofensiva,
apesar de atuar fora de casa, o time carioca venceu por 2 a 1 o
jogo de ida pela segunda fase da Copa do Brasil.
As duas equipes voltam a se enfrentar na próxima
quarta-feira, às 19h30m (de Brasília), no Engenhão.
O Bota se classifica com vitória, empate ou até com
derrota por 1 a 0. A equipe paranaense precisa vencer por dois ou
mais gols de diferença. No placar de 2 a 1, mas a favor do
Tricolor paranaense, levará a disputa da vaga para os pênaltis.
O ganhador do confronto enfrenta nas oitavas de final o Avaí,
que eliminou o Ipatinga nesta quarta com uma goleada de 4 a 1 em
Florianópolis.
Para o início de uma nova fase em sua carreira, logo contra
o clube que classificou para a Libertadores com a boa campanha no
Campeonato Brasileiro de 2006, Caio Júnior contou com a volta
de quatro titulares: Jefferson (que estava na Seleção
Brasileira), Rodrigo Mancha, Everton e Herrera, que cumpriram suspensão
na última rodada do Campeonato Carioca, diante do Boavista.
Mas o time voltou a não contar com outros quatro atletas
importantes: Loco Abreu e Arévalo (ambos na seleção
uruguaia), e Lucas e Bruno Thiago, machucados.
Do lado do time da casa, o treinador Ricardo Pinto,
goleiro do Fluminense nos anos 90, também contou com reforços:
o meia Luiz Camargo e os zagueiros Rodrigo Defendi e Luciano Castán,
liberados após cumprir suspensão. Mas seguiu sem poder
escalar o meia Kerlon, que ainda tenta se recuperar de uma lesão
muscular na coxa direita.
Caio Júnior manteve o meio-campo com três
volantes (Marcelo Mattos, Rodrigo Mancha e Somália). Mas
posicionou o último mais avançado, pela lado direito,
dividindo a armação de jogadas com Everton. Revelado
no Paraná, que trocou pelo Flamengo em 2008, o meia foi vaiado
logo que tocou na bola, com 30 segundos de jogo. A primeira boa
chance de gol da partida surgiu exatamente após uma tentativa
de Somália pela direita. Herrera recebeu na entrada da área
e chutou rente à trave, aos nove minutos.
Antônio Carlos comemora o primeiro gol do
Botafogo (Foto: Huerle Andrey / Agância Estado). Se com Joel
Santana no comando, muitos torcedores - e até jogadores -
reclamavam que o Botafogo tinha uma postura muito defensiva, o mesmo
não ocorreu no primeiro tempo da "gestão Caio
Júnior". O time visitante tomou a iniciativa. Aos dez,
Márcio Rosário arriscou de longe. O goleiro Thiago
Rodrigues não segurou, e a defesa paranista afastou o perigo.
A ousadia alvinegra foi premiada aos 15. Somália cobrou escanteio,
e Antônio Carlos, ex-Atlético-PR, apareceu no meio
da área para cabecear e mandar a bola no canto esquerdo.
A alegria do Bota, no entanto, durou apenas um minuto.
O Tricolor paranaense respondeu na mesma moeda. Gol de cabeça
de um zagueiro, no canto esquerdo, após cobrança de
escanteio. Rodrigo Defendi empatou a partida. O gol de empate e
a chuva que apertou no Durival de Brito não mudaram o panorama
da partida. Mesmo jogando em casa, o Paraná seguiu recuado,
apostando em contra-ataques. E o Bota continuou mais incisivo. Antônio
Carlos perdeu chance incrível aos 25, completando por cima
na pequena área.
Se já passava por dificuldades na partida,
o Paraná foi para o intervalo com um homem a menos. Aos 45,
Luiz Camargo atingiu Herrera com uma cotovelada no rosto antes da
cobrança de uma falta sobre a área. Alertado pelo
auxiliar Rodrigo Figueiredo, o juiz Elmo Cunha expulsou o meia paranista.
Mas não marcou o pênalti, porque a bola não
estava em movimento.
Com um jogador a mais, Caio Júnior decidiu
iniciar a segunda etapa com um atacante (William) no lugar de um
volante (Rodrigo Mancha). E o jovem mostrou ter estrela. Logo com
dois minutos, ele ajeitou de peito para Somália, que chutou
forte de fora da área. O goleiro Thiago Rodrigues não
segurou. William acreditou na falha do goleiro e completou para
as redes, marcando seu primeiro gol como profissional em apenas
dois jogos no time de cima.
Novamente, a alegria pelo gol virou preocupação.
Um minuto depois da bola na rede, Somália fez falta em Diego.
O volante já havia recebido amarelo e foi expulso. Na zona
de rebaixamento do estadual, o Paraná, mesmo com a igualdade
de atletas em campo, seguiu sem criatividade, com grande dificuldade
de armar jogadas. Irritando grande parte dos torcedores no estádio.
A equipe insisita em infrutíferos cruzamentos sobre a área.
Ricardo Pinto decidiu mexer no Tricolor aos 29,
quando mandou o atacante Marquinhos a campo no lugar do meia Lima.
Mas foi o Botafogo que esteve mais perto de eliminar o jogo de volta
do que o Paraná de igualar o marcador. William quase balançou
a rede novamente aos 31, mandando a bola rente à trave direita
com um chute da entrada da área. Alessandro ainda perdeu
outra chance aos 39, isolando uma bola no bico da área.
Nos minutos finais, o time da casa partiu para o
desespero. Mas sem organização, não conseguiu
o empate. Para a alegria do treinador que levou o time a uma inédita
vaga na Libertadores. Mas que agora está do outro lado.
Fonte: Globoesportescom |