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A Páscoa de Wellington Paulista nunca foi tão saborosa.
No cardápio, em vez de chocolates, gols durante a tarde e
um churrasco em família à noite para comemorar a atuação
de gala diante do Macaé, no Engenhão. Autor de quatro
gols na goleada de 7 a 0 do Botafogo, o atacante assumiu a artilharia
isolada do Carioca, com 11 gols, e alcançou a incrível
média de 13 gols em 14 partidas com a camisa alvinegra.
Nesta segunda-feira, Wellington viveu um dia de celebridade. Alvo
de toda a imprensa do Rio de Janeiro, ele ainda não conseguiu
sequer assistir a suas obras, mas atendeu a reportagem do GLOBOESPORTE.COM
nos estúdios da TV Globo para falar do melhor momento da
carreira e fazer uma promessa: "Fico no Botafogo pelo menos
por mais quatro anos."
Domingo de Páscoa é um dia tradicionalmente
familiar, e você pode festejar da melhor forma possível
com seus pais ali pertinho. Eles sempre te acompanham? Como surgiu
o apelido Wellingol?
Quando não está viajando, meu pai, que é caminhoneiro,
sempre vai aos meus jogos. Ele que inventou esse apelido quando
eu ainda estava no Juventus. Ele disse que não poderia ir
ao meu jogo. Quando entrei em campo vi uma faixa com os dizeres:
"Wellingol, fã número 1." Estranhei, e quando
olhei melhor ele estava do lado acenando. Foi uma surpresa. Nesse
dia fiz dois gols. Deu sorte e hoje ele leva a faixa pra onde eu
for.
A torcida já prepara uma música que diz: 'E
ninguém pára o Wellingol...". Esse apelido vai
sair de dentro de casa e ganhar a galera?
Isso faz parte da torcida. Cantando e incentivando, a animação
é sempre maior. É um reconhecimento, e com um musiquinha
é sempre bom.
Seu pai, por sinal, é o grande responsável
pelo sucesso da sua carreira, certo?
Sim. Quando eu tinha 17 anos desisti do futebol depois de ser recusado
em um monte de peneiras. Todo mundo dizia que eu tinha talento,
mas sempre era dispensado. Passei a trabalhar, e no terceiro dia
de serviço tive que faltar a escola e cheguei tarde em casa.
Meu pai perguntou por que eu não tinha ido à aula,
e quando respondi me mandou pedir demissão na hora. Ele disse
que eu tinha que seguir atrás do meu futuro, e na terça-feira
seguinte eu fui aprovado no Juventus.
O Sr. Valter (pai de Wellington) também tentou a
carreira como jogador de futebol. Ele era artilheiro como você?
Ele chegou a ser profissional no Bauru. Era ponta-direita. Dava
muitos passes, mas não era muito de fazer gols. Gostava de
ir à linha de fundo e cruzar (risos).
Pra quem dedica cada um dos quatro gols? Qual é
o seu preferido?
No dia seguinte à atuação de gala, Wellington
comprou todos os jornaisGostei mais do terceiro gol, foi uma bola
bem trabalhada, troca de passes até a conclusão. Dedico
para os meus pais, minha esposa e, principalmente, minha irmã,
que faz aniversário nesta segunda.
Já tinha feito tanto gols assim em um único
jogo?
Pelo Juventus eu marquei três gols em três oportunidades.
Duas pela Copa São Paulo e uma contra o América de
São José do Rio Preto pelo Paulistão de 2006.
Foi por esse jogo que o Santos se interessou pelo meu futebol.
Além dos quatro gols, você ainda sofreu o
pênalti e possibilitou que o Lucio Flavio marcasse o dele
em um dia especial. Foi uma forma de retribuir o presente do terceiro
gol?
É bacana isso. A gente vê que o grupo é fechado.
Depois do pênalti o Lucio Flavio veio combinar comigo que
o próximo a gente ia dar para o Felício, que ainda
não fez gol. Se fosse outro time eu não sei se seria
assim. Durante o jogo todo mundo procurou dar passe para o Fábio
marcar o dele, e deu certo. Agora, vamos fazer uma fezinha para
o Felício.
Os gols contra o Macaé fizeram você ultrapassar
o Washington e ainda abrir vantagem. Chegou a hora de disparar?
Vai ser complicado. O Washington e o Thiago Neves têm uma
qualidade indiscutível e também podem fazer dois ou
três gols, como o Thiago até já fez. Eu tenho
é que estar sempre atento para atuar bem e fazer gols.
Substituir o Dodô era uma tarefa complicada, principalmente
pela história recente dele no clube. Depois de chegar desacreditado,
cair nas graças da galera tão rápido fazia
parte dos seus melhores sonhos?
O rendimento está acima do esperado. A gente imagina cumprir
bem a função, sonha com os gols, mas não tantos.
Estou comemorando muito e trabalhando forte.
Você deixou o Santos em boa fase e não teve
tanta sorte no Alavés (ESP). Acha que chegou o momento de
sossegar em um clube e fazer história no Botafogo?
Quando vim pra cá falei com minha esposa que, se a diretoria
não me mandasse embora, eu ia querer cumprir todo o meu contrato.
Passei um tempo pulando muito de um clube para outro, não
quero mais isso. Estou bem no Rio, minha esposa está grávida
e quero, no mínimo, cumprir meus quatro anos de contrato
com o Botafogo, de repente até renovar.
Fonte: Globoesportes.com
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