Quando
esteve em General Severiano para se despedir e acertar a rescisão
de seu contrato, na última terça-feira, Joel Santana
recebeu o carinho de uma torcedora que lhe entregou flores. Mas
carinho e torcida foram palavras impossíveis de serem pronunciadas
na mesma frase nos últimos dias do treinador no comando do
Alvinegro. Se com a diretoria encontrava um grande respaldo, na
arquibancada Joel encontrou a gota d’água que transformou
em lágrimas a sua saída do clube no qual trabalhou
nos últimos 14 meses.
Em conversas privadas e até mesmo em entrevistas
coletivas após as partidas no Engenhão, Joel Santana
não escondia sua mágoa com as hostilidades vindas
principalmente no setor Oeste Inferior do estádio, a chamada
área VIP, onde concentra-se grande parte dos conselheiros
do clube. Incomodado e sentindo-se impossibilitado de fazer mais
pelo time, o treinador decidiu sair, deixando até uma relação
positiva com o elenco.
Relatos de pessoas que vivem o dia a dia do Botafogo
dão conta de que os problemas de relacionamento de Joel com
o elenco eram mínimos. Fato é que não existia
mais uma proximidade com alguns de seus primeiros “filhos”
em General Severiano, mas sabe-se que as insatisfações
eram apenas pontuais e as discordâncias eram em relação
à metodologia de trabalho. O grande entrevero do treinador
foi mesmo Loco Abreu.
Alguns dos líderes do grupo gostavam do Joel,
embora discordassem da maneira como ele armava o time. O problema
pessoal era entre o treinador e o Abreu - lamentou um integrante
do grupo alvinegro.
E aí entrou novamente o papel da torcida.
Joel Santana teria evitado o conflito com o uruguaio por entender
que, assim, também compraria uma briga com os botafoguenses
que idolatram o camisa 13. No entanto, em reuniões com o
elenco, se queixou com Abreu das críticas ao esquema de jogo
por meio da imprensa, uma insatisfação comum a outros
nomes importantes do elenco. Numa reunião, pediu que qualquer
reclamação fosse feita a ele diretamente.
A decisão de dar a faixa de capitão
a Marcelo Mattos após a saída de Leandro Guerreiro
foi algo que também desgastou a relação de
Joel com Loco Abreu. Dois dias depois da derrota por 1 a 0 para
o River Plate-SE, em Aracaju, o treinador chamou o uruguaio para
uma conversa privada. A partir de então, passou a haver um
diálogo maior entre os dois. Mas o técnico deixou
o Botafogo sem nunca mais conseguir se acertar com o centroavante
desde o primeiro conflito, no Brasileirão do ano passado,
quando o camisa 13 reclamou por ser substituído na partida
contra o Grêmio Prudente.
Mesmo assim, em sua entrevista de despedida do Botafogo,
Joel Santana minimizou o conflito com Abreu:
Quem sabe marcamos um encontro e um bate papo? -
disse.
E foi assim, sem o amparo da torcida que o elevou
ao status de salvador com a conquista do título estadual
de 2010 – assumindo o comando após a goleada por 6
a 0 para o Vasco – e sem conseguir se entender com o maior
ídolo dela que Joel Santana deixou o Botafogo. Mesmo assim,
garantiu que em breve estará de volta para triunfar no mesmo
banco de reservas que, nos últimos dias, foi alvo de palavras
muito diferentes daquelas de 14 meses atrás.
Fonte: Globoesportescom |