O que é necessário para um jogador se tornar ídolo
de um clube? Títulos? Identificação? Longevidade?
Lucio Flavio tem todos esses requisitos com a camisa do Botafogo.
Contratado no início de 2006 após uma passagem sem
destaque pelo São Caetano, ele encontrou em General Severiano
o ambiente que precisava para reeditar as exibições
que chamaram a atenção do país no início
da carreira no Paraná Clube. Neste domingo, contra o Macaé,
o camisa 10 completa cem jogos com a camisa alvinegra, marca que
o enche de orgulho e já o faz pensar em ficar no Glorioso
até o fim da carreira.
Em entrevista ao GLOBOESPORTE.COM ele revela quais foram os momentos
de maior alegria com camisa do Fogão, fala da admiração
por Zinedine Zidane e garante que 'cada ano o clube está
melhor para se trabalhar'.
Pouco mais de dois anos depois de chegar ao clube, você alcança
a marca de 100 jogos com a camisa alvinegra como capitão
e referência para muitos alvinegros. Sensação
de dever cumprido?
- Estou muito feliz por alcançar esta marca. Fiquei sete
meses parado no primeiro ano no clube e mesmo assim consegui alcançar
esse número tão importante na história de todo
jogador. É algo que coloco como fundamental na minha carreira
e espero celebrar esta marca com uma vitória.
Alguma dúvida em apontar este período no Botafogo
como o melhor da sua carreira?
- Aqui no Botafogo tudo tem uma dimensão maior. Talvez por
isso este momento que vivo desde o ano passado possa ser considerado
o melhor da minha carreira. Aqui trabalho feliz, e quando isso acontece
a tendência é que as coisas aconteçam da melhor
forma. Tenho todo o respaldo necessário, por isso tento fazer
sempre o meu melhor.
Você tem vivido um processo de reestruturação
do clube nos últimos anos. O que mudou do Botafogo que você
encontrou quando chegou para o atual?
- Evoluiu muito não só dentro de campo, o que é
perceptível, mas também na questão administrativa.
A diretoria tem procurado solucionar todas as questões para
que o clube sane suas dívidas tenha sempre times competitivos.
O Botafogo está no caminho certo, hoje tem um grande estádio,
e a cada ano vem tendo uma produção melhor.
Quando você chegou ao clube, após passagens curtas
por São Caetano e Coritiba, acredita que poderia ficar tanto
tempo?
- Não esperava chegar a essa marca. A gente pensa em defender
bem a camisa que está vestindo, mas vim com contrato de um
ano e às vezes achava que teria que seguir um caminho no
São Caetano. Acabou acontecendo a lesão, teve a forma
como fui tratado e o clube logo tratou da renovação.
Nesse ponto, tudo que aconteceu acabou sendo benéfico. Pude
ter esta seqüência e hoje comemorar esta marca.
Seu contrato termina no final de 2008. Ficar no Botafogo até
o fim da carreira é um objetivo?
- Na verdade já começamos a conversar no sentido de
renovar o contrato, mas nada oficial. Fico feliz por saber desta
iniciativa e espero atingir marcar melhores. Isso pode ser uma condição
natural a partir do momento que o contrato seja renovado. As chances
aumentam se o clube seguir com esta mesma administração,
manter esta base, e procurar sempre oferecer as melhores condições
de trabalho.
Você olha para trás e faz qual avaliação
destes dois anos e três meses?
- A avaliação tem que ser baseada nos momentos de
alegria. Até mesmo na lesão, pude tirar uma coisa
boa da forma como a torcida me acolheu e encarou tudo de maneira
respeitosa e carinhosa. Teve também o título estadual
conquistado e a temporada de 2007. Apesar de não termos conseguido
um título, foram momentos bem bacanas, assim como este início
de 2008. Só tive contentamento aqui.
O futebol brasileiro carece de meias com estilo de jogo clássico
como você. Em quem você se inspira, ou se inspirou quando
era mais novo?
- Por ser de família de futebol, sempre acompanhei os clubes
no Paraná, desde pequeno. Gostava de jogadores não
conhecidos aqui no Rio, como o Tostão, do Coritiba (e Cruzeiro),
e o Adoílson, do Paraná. Com o tempo, passei a me
espelhar em alguns jogadores, e o Zidane sempre me chamou a atenção.
Apesar de não ser brasileiro, foi um jogador fora de série,
e que deixou uma imagem boa, mesmo depois do incidente da cabeçada.
Foi acima da média.
Podemos dizer que você é o Zidane alvinegro?
- Eu não chego aos pés dele. Ainda tenho muita coisa
a acrescentar ao meu futebol.
Quais os momentos inesquecíveis com a camisa do Botafogo?
Cite uma partida e um gol.
- Ficou marcado o 4 a 4 com o Vasco. Foi uma partida espetacular
pela forma como foi disputada. Já um gol que dificilmente
sai da minha memória foi contra o Flamengo, na decisão
do Estadual. Deixei para trás três ou quatro marcadores
e fiz um bonito gol. É um dos que mais gosto.
Fonte: Globoesportes.com
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