Dois
dias depois de uma derrota por goleada e na véspera do jogo
contra o Cruzeiro, considerado decisivo, o sorriso voltou ao Botafogo.
E personificado na figura de Somália. A recuperação
de um estiramento muscular foi apenas um leve obstáculo na
trajetória do paulistano que, acostumado a enfrentar dificuldades
na vida e na profissão, elegeu a alegria como remédio
para fazer o que gosta e contagiar aqueles que estão à
sua volta.
Nascido no bairro de Vila Nova Galvão, Zona
Norte de São Paulo, Somália efetuou desarmes na tristeza
tão precisos quanto os que executa quando está em
campo. Nem mesmo diante das dificuldades financeiras de sua família
o menino Paulo Rogério Reis Silva se deixou abater. Aos 7
anos elegeu o futebol como diversão e caminho para um futuro
melhor, mas enquanto não podia pagar as contas com ele, se
divertia nos campos de pelada e correndo atrás para custear
suas brincadeiras.
Distribuía panfletos em eleições
e vendia flores para ganhar um trocado e poder comprar bolinha de
gude ou pipa. Tive uma infância difícil. Meus pais
nunca me deixaram faltar nada, na medida do possível, principalmente
educação. Mas era uma vida humilde. Mesmo assim, sempre
fui brincalhão. A alegria é sempre importante para
vencer os momentos ruins - ensina ele, que é filho de um
mecânico, já falecido, e de uma auxiliar de papiloscopista
aposentada.
Série A do Brasileirão pela primeira
vez aos 26 anos
O glamour e a estabilidade financeira que jovens como Neymar experimentam
aos 18 anos, Somália, aos 26 anos, ainda não desfruta.
Apenas em 2010 disputa pela primeira vez a Série A do Campeonato
Brasileiro. Para ele, entretanto, não é tarde. O volante
garante que passagens por clubes de menor expressão foram
determinantes para que chegasse a General Severiano capaz de conquistar
Joel Santana, a torcida e a diretoria, que recentemente venceu uma
disputa com o Fluminense e firmou um contrato de cinco anos de duração.
Pela primeira vez estou num clube de porte, como
o Botafogo, e me sinto preparado para o desafio. Não busco
ser ídolo, mas tenho consciência da responsabilidade
que é vestir essa camisa. Tudo o que passei serviu de aprendizado
para que eu pudesse chegar aqui em condição de corresponder
às expectativas - frisou.
Somália, portanto, destaca que é importante
dar valor às dificuldades que diz viver ainda hoje. Os muitos
anos em clubes de menor expressão reservaram decepções
e problemas financeiros. Em muitos dos casos, conviveu com salários
atrasados. Mas nada que pudesse tirar o sorriso do rosto do volante,
que é considerado peça importante para o Botafogo
na partida contra o Cruzeiro.
Cheguei a ficar quatro meses sem receber, e foi
difícil pagar as contas. Mesmo assim, nunca me recusei a
jogar, porque era importante continuar a ser visto. Enfrentei muitos
obstáculos, mas sempre sorrindo. É preciso ter alegria
para desempenhar um bom trabalho.
Neste sábado, é dia de dar alegria
à torcida do Botafogo.
Fonte: Globoesportescom |