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A segunda-feira foi um dia fora do comum para Lucio Flavio. Para
começar, uma folga que não acontecia há cerca
de dois meses e, por isso, houve mais tempo para curtir os filhos
Lara, de 5 anos, e Levi, de 2. Além disso, o belo gol marcado
na vitória por 2 a 0 sobre o Coritiba, não apenas
deu um novo fôlego ao Botafogo na luta contra o rebaixamento
no Campeonato Brasileiro, como proporcionou ao meia um descanso
com espírito leve após os aplausos da torcida no Engenhão,
ao contrário do dia seguinte da derrota por 1 a 0 para o
Flamengo, quando perdeu um pênalti e sofreu hostilidades.
Em entrevista ao GLOBOESPORTE.COM, Lucio Flavio falou sobre os
altos e baixos da relação com os torcedores em sua
segunda passagem pelo Botafogo. O meia também garantiu confiança
na questão emocional do time na reta final, quando um tropeço
pode significar o retorno à zona de perigo, além da
mudança de um padrão: o especialista nas cobranças
de falta e pênalti tem marcado mais gols com a bola rolando.
GLOBOESPORTE.COM – Depois de quase dois meses, o elenco do
Botafogo está de folga. Como está sendo este dia seguinte
da vitória para o Coritiba para você, que marcou um
gol importante e, ao contrário do que aconteceu algumas vezes,
deixou o Engenhão aplaudido?
LUCIO FLAVIO – Nenhum profissional gosta de acordar no dia
seguinte a uma partida e ter a consciência de que não
alcançou seu objetivo em campo. Hoje estou com a sensação
do dever cumprido. Conquistamos três pontos importantes, o
time teve boa atuação, e, com isso, minha sensação
é de estar mais leve, mais aliviado. Somente nós sabemos
a carga de pressão que estamos sofrendo. Por isso, depois
de muito tempo sem folga, nada melhor do que aproveitar a família.
Um dia seguinte feliz chega a mudar seus hábitos? Você
costuma ler sempre as notícias a seu respeito ou apenas quando
acontece um resultado positivo para o Botafogo?
Número 10 do Botafogo, Lucio Flavio comemora com companheiros
seu gol sobre o Coritiba Não mudo minha postura quando sou
hostilizado ou aplaudido. Dificilmente consigo parar para ler as
notícias, pois, quando não estou treinando, a correria
também é grande. É raro eu conseguir tempo
para assistir aos lances das partidas na televisão. Fico
meio por fora, e as notícias chegam pela minha esposa ou
por outras pessoas da minha família. Mas de qualquer maneira,
encaro tudo com tranquilidade.
Há duas semanas você foi hostilizado no Engenhão
por ter perdido um pênalti na derrota por 1 a 0 para o Flamengo.
No último domingo, marcou um gol na vitória por 2
a 0 sobre o Coritiba e foi aplaudido. É possível se
acostumar com esses altos e baixos de sua relação
com os torcedores?
Posso dizer que estou acostumado, mas nenhum atleta gosta de passar
pelas situações que venho enfrentando. Ao mesmo tempo,
procuro entender que tudo acontece por causa do momento vivido pelo
Botafogo. Quando a fase é ruim, a torcida acaba indo para
cima dos principais nomes do elenco. Em 15 dias, a postura mudou
completamente. Aquele pênalti contra o Flamengo foi uma responsabilidade
que assumi, e a derrota enerva o torcedor, mas se eu tivesse marcado,
sei que nada daquilo aconteceria. O futebol se traduz em resultados,
é com base nisso que somos avaliados. Nossa relação
com a torcida melhora de acordo com a postura em campo.
Na reta final do Brasileirão, um tropeço pode significar
a volta do Botafogo à zona de rebaixamento. Como você
avalia o momento emocional do elenco alvinegro neste período
decisivo?
O fato de as equipes que estão abaixo de nós estarem
vencendo cria um alerta maior para o nosso grupo. Sabemos que não
se pode relaxar em momento algum. Isso até tem sido bom,
pois deixa o elenco envolvido, acompanhando os outros resultados
e cria a necessidade de estarmos sempre espertos. Enfrentamos o
Coritiba, um adversário direto, tendo a necessidade de vencer,
depois da vitória do Fluminense. Além disso, fomos
eliminados da Copa Sul-Americana na última quarta-feira,
o que nos deu uma responsabilidade maior diante da nossa torcida.
Muitas vezes a equipe mostra equilíbrio em campo, mas quando
as coisas começam a não funcionar, a torcida muitas
vezes pega no pé, e isso atrapalha o desenvolvimento do time.
Mas mesmo assim vejo o grupo melhor emocionalmente. Acho que a tendência
é melhorar esse aspecto na reta final, pois não há
mais tempo ou espaço para nervosismo.
Seu gol sobre o Coritiba confirmou uma mudança de padrão:
em 2009, você marcou quatro gols com a bola rolando e apenas
dois em jogadas de bola parada, sua especialidade. Tem alguma explicação?
É uma questão de espaço e oportunidade. Infelizmente
acho que marquei apenas um gol de falta neste ano, pelo Botafogo
(no empate em 3 a 3 com o Corinthians, dia 23 de agosto) e perdi
dois pênaltis, algo que nunca havia acontecido. A fase do
Juninho nas faltas é excelente, e por isso tenho dado preferência
a ele. Quando a gente sabe que não está bem em algum
aspecto, precisa dar espaço àqueles que podem contribuir
para que o time vença.
Fonte: Globoesportes.com
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